Critica de A Entidade
07/10/2012 | Por Roberto
Guerra- Cineclick. Site MSN
Dos mesmos produtores da exaustiva franquia
Atividade Paranormal, A Entidade, felizmente, não é um mockumentary, os
falsos documentários que querem levar o público a acreditar que o retratado
realmente ocorreu. A fórmula desgastada e suas imagens propositalmente sujas e
sacudidas não se aplicam neste filme, o que soa como alívio.
A Entidade começa bem, buscando o medo do espectador por sua história obscura e pelo poder de sugestão de algumas imagens. A primeira cena é sinistra o suficiente para incomodar e suscitar dúvidas. Simulando uma gravação em Super 8, nela vemos três pessoas sob uma árvore com as mãos atadas às costas, sacos cobrindo a cabeça, e prestes a serem enforcadas. Alguém, que não se pode ver, serra um galho lentamente até que ele tomba e ergue os infelizes do chão. Eles se debatem inutilmente enquanto são asfixiados.
Ainda impressionados com a tétrica cena, somos transportados para os dias atuais. Vemos uma família de mudança para uma nova casa. Ellison (Ethan Hawk, de Dia de Treinamento) é um romancista famoso que escreve sobre crimes reais. Logo descobrimos que a casa para onde está se mudando com a mulher Tracy (Juliet Rylance) e seus dois filhos, Ashley (Clare Foley) e Trevor (Michael Hall D'Addario) foi o cenário do crime que acabamos de presenciar. Ele pretende investigar a história e transformá-la no enredo de seu próximo livro.
Explorando o local da casa onde, invariavelmente, se escondem todos os mistérios num filme de terror, o sótão, Ellison descobre uma caixa com uma câmera de 8mm e vários rolos de filmes que retratam o crime que assistimos no início da fita e outros tão brutais quanto. Ao que parece, foram cometidos pelo mesmo criminoso ao longo de várias décadas. Ao começar suas investigações o romancista se depara com outra coincidência: todos os mortos eram sempre de uma mesma família e, em todas as matanças, uma criança da casa era poupada, mas desaparecia sem nunca ser encontrada.
O diretor Scott Derrickson (de O Exorcismo de Emily Rose) conduz os primeiros minutos do filme com astúcia, apostando no poder de sugestão e na força das imagens e ruídos para provocar medo no espectador. Não demoramos muito a perceber sua incredulidade no vigor da história quando começa a apelar para técnicas batidas para induzir ao susto e sobressalto.
As boas tomadas de câmera e imagens lúgubres, por si só capazes de construir a tensão, são substituídos por sequências batidas, como a típica situação de se ouvir um barulho estranho, ir até o local de onde se originou e, num susto, descobrir que não era nada demais. Pelos menos aqui não há o famigerado gato que salta de algum lugar. Também há a banal tomada na qual o protagonista olha para um lugar, pensa ter visto algo, que logo some, e, ato-contínuo, coça os olhos achando que foi só impressão.
A Entidade segue, então, se desconstruindo como o filme relativamente promissor que sinalizava de início. Notando que estamos diante de mais do mesmo, nossa atenção começa a perceber outros problemas evidentes, como os diálogos mal elaborados, principalmente entre o escritor e um policial que tenta ajudá-lo - um tipo mal construído que não sabemos se é um completo idiota ou alguém que pode acrescentar algo à trama.
Notório também é o nada crível método de investigação do escritor, que consegue desvendar crimes que a polícia não resolveu durante meses de investigação sem sair de seu escritório uma vez sequer. Todas as pistas e informações são conseguidas pelo Google. Como os policiais não pensaram nisso? Nem mesmo quando tem de descobrir o significado de algumas imagens com um especialista de uma universidade, sai de seu recanto. O bate-papo é via Skype.
A Entidade peca pelo medo de arriscar e apostar na força da sugestão. Recicla clichês e, ao final, entra para o rico time de filmes de terror repetitivos e nada criativos.
A Entidade começa bem, buscando o medo do espectador por sua história obscura e pelo poder de sugestão de algumas imagens. A primeira cena é sinistra o suficiente para incomodar e suscitar dúvidas. Simulando uma gravação em Super 8, nela vemos três pessoas sob uma árvore com as mãos atadas às costas, sacos cobrindo a cabeça, e prestes a serem enforcadas. Alguém, que não se pode ver, serra um galho lentamente até que ele tomba e ergue os infelizes do chão. Eles se debatem inutilmente enquanto são asfixiados.
Ainda impressionados com a tétrica cena, somos transportados para os dias atuais. Vemos uma família de mudança para uma nova casa. Ellison (Ethan Hawk, de Dia de Treinamento) é um romancista famoso que escreve sobre crimes reais. Logo descobrimos que a casa para onde está se mudando com a mulher Tracy (Juliet Rylance) e seus dois filhos, Ashley (Clare Foley) e Trevor (Michael Hall D'Addario) foi o cenário do crime que acabamos de presenciar. Ele pretende investigar a história e transformá-la no enredo de seu próximo livro.
Explorando o local da casa onde, invariavelmente, se escondem todos os mistérios num filme de terror, o sótão, Ellison descobre uma caixa com uma câmera de 8mm e vários rolos de filmes que retratam o crime que assistimos no início da fita e outros tão brutais quanto. Ao que parece, foram cometidos pelo mesmo criminoso ao longo de várias décadas. Ao começar suas investigações o romancista se depara com outra coincidência: todos os mortos eram sempre de uma mesma família e, em todas as matanças, uma criança da casa era poupada, mas desaparecia sem nunca ser encontrada.
O diretor Scott Derrickson (de O Exorcismo de Emily Rose) conduz os primeiros minutos do filme com astúcia, apostando no poder de sugestão e na força das imagens e ruídos para provocar medo no espectador. Não demoramos muito a perceber sua incredulidade no vigor da história quando começa a apelar para técnicas batidas para induzir ao susto e sobressalto.
As boas tomadas de câmera e imagens lúgubres, por si só capazes de construir a tensão, são substituídos por sequências batidas, como a típica situação de se ouvir um barulho estranho, ir até o local de onde se originou e, num susto, descobrir que não era nada demais. Pelos menos aqui não há o famigerado gato que salta de algum lugar. Também há a banal tomada na qual o protagonista olha para um lugar, pensa ter visto algo, que logo some, e, ato-contínuo, coça os olhos achando que foi só impressão.
A Entidade segue, então, se desconstruindo como o filme relativamente promissor que sinalizava de início. Notando que estamos diante de mais do mesmo, nossa atenção começa a perceber outros problemas evidentes, como os diálogos mal elaborados, principalmente entre o escritor e um policial que tenta ajudá-lo - um tipo mal construído que não sabemos se é um completo idiota ou alguém que pode acrescentar algo à trama.
Notório também é o nada crível método de investigação do escritor, que consegue desvendar crimes que a polícia não resolveu durante meses de investigação sem sair de seu escritório uma vez sequer. Todas as pistas e informações são conseguidas pelo Google. Como os policiais não pensaram nisso? Nem mesmo quando tem de descobrir o significado de algumas imagens com um especialista de uma universidade, sai de seu recanto. O bate-papo é via Skype.
A Entidade peca pelo medo de arriscar e apostar na força da sugestão. Recicla clichês e, ao final, entra para o rico time de filmes de terror repetitivos e nada criativos.
Busca
Implacável 2
01/10/2012 | Por Roberto
Guerra- Cineclick
O primeiro não era lá essas coisas. Bryan Mills (Liam Neeson), um
ex-espião americano, tinha a filha sequestrada em Paris por um grupo de
albaneses ligado ao tráfico sexual de mulheres. Ato-contínuo, usava de suas
super-habilidades (num misto de Jason Bourne e McGiver) para revirar a capital
francesa de pernas por ar e descobrir o paradeiro da jovem. No caminho, um rastro
de corpos de vilões estereotipados e ruins de pontaria que chegavam a dar dó.
Este era o frágil enredo criado pela dupla Luc Besson e Robert Mark Kamen para Busca Implacável, lançado em 2008 sob a direção de Pierre Morel (do ruim Dupla Implacável). Para segurar a atenção do público e compensar o roteiro vacilante, restava ao filme o ritmo frenético de ação ininterrupta e Neeson no papel principal, um ator capaz de carregar de autenticidade até mesmo um personagem mal elaborado e fútil como o obsessivo e durão Bryan Mills.
Os bons números nas bilheterias servem de justificativa para esta sequência, e apenas eles. Busca Implacável custou pouco mais de US$ 25 milhões e arrecadou US$ 227 milhões ao redor do mundo. O êxito fez Besson apostar nesta continuação, também roteirizada por ele e Kamen, mas agora dirigida por Olivier Megaton (Em Busca de Vingança). O resultado: um filme que não só repete os erros do primeiro, mas os galvaniza a ponto de quase se transformar numa sátira aos filmes do gênero. Quase, porque Busca Implacável 2 se leva a sério. Pior: quer que você o leve também.
A descrição de uma sequência talvez dê boa mostra do que esperar do longa. Nela, Bryan está algemado a uma tubulação de aço fixa ao chão e à parede. O vilão (Rade Serbedzija, de Missão Impossível 2) que o prendeu ali chega trazendo sua ex-mulher Leonore (Famke Janssen, a Jean Grey da franquia X-Men). Antes de matar Bryan, quer que ele assista à morte da mãe de sua filha. Ele poderia dar um tiro nela, cortar sua garganta, afogá-la, mas resolve matá-la de uma maneira mirabolante, complicada e demorada. Naturalmente, não fica no local para ver os últimos momentos da vítima. O que vem adiante, claro, não precisa ser contado.
Murad Krasniqi é o vilão trapalhão, pai do bandido que sequestrou a filha de Bryan no primeiro filme. Ele quer vingar a morte do filho e, para isso, junta uma trupe de bandidos mal encarados (e ruins de pontaria como no primeiro filme) para sequestrar o algoz de seu filho, sua ex-mulher e filha, que estão em Istambul onde Bryan foi realizar um trabalho. Segue-se então um corre-corre frenético pelas ruas da cidade turca com direito a momentos, no mínimo, hilários de tão inverossímeis, como quando a filha de Bryan tenta localizar o cativeiro do pai explodindo granadas a esmo por Istambul.
O filme poderia se chamar Busca Implacável ao Quadrado em vez de Busca Implacável 2: mais inverossímil, mais exagerado e mais supérfluo. Adições que o tornam inferior ao antecessor, que como disse no início deste texto, já não era lá essas coisas.
Este era o frágil enredo criado pela dupla Luc Besson e Robert Mark Kamen para Busca Implacável, lançado em 2008 sob a direção de Pierre Morel (do ruim Dupla Implacável). Para segurar a atenção do público e compensar o roteiro vacilante, restava ao filme o ritmo frenético de ação ininterrupta e Neeson no papel principal, um ator capaz de carregar de autenticidade até mesmo um personagem mal elaborado e fútil como o obsessivo e durão Bryan Mills.
Os bons números nas bilheterias servem de justificativa para esta sequência, e apenas eles. Busca Implacável custou pouco mais de US$ 25 milhões e arrecadou US$ 227 milhões ao redor do mundo. O êxito fez Besson apostar nesta continuação, também roteirizada por ele e Kamen, mas agora dirigida por Olivier Megaton (Em Busca de Vingança). O resultado: um filme que não só repete os erros do primeiro, mas os galvaniza a ponto de quase se transformar numa sátira aos filmes do gênero. Quase, porque Busca Implacável 2 se leva a sério. Pior: quer que você o leve também.
A descrição de uma sequência talvez dê boa mostra do que esperar do longa. Nela, Bryan está algemado a uma tubulação de aço fixa ao chão e à parede. O vilão (Rade Serbedzija, de Missão Impossível 2) que o prendeu ali chega trazendo sua ex-mulher Leonore (Famke Janssen, a Jean Grey da franquia X-Men). Antes de matar Bryan, quer que ele assista à morte da mãe de sua filha. Ele poderia dar um tiro nela, cortar sua garganta, afogá-la, mas resolve matá-la de uma maneira mirabolante, complicada e demorada. Naturalmente, não fica no local para ver os últimos momentos da vítima. O que vem adiante, claro, não precisa ser contado.
Murad Krasniqi é o vilão trapalhão, pai do bandido que sequestrou a filha de Bryan no primeiro filme. Ele quer vingar a morte do filho e, para isso, junta uma trupe de bandidos mal encarados (e ruins de pontaria como no primeiro filme) para sequestrar o algoz de seu filho, sua ex-mulher e filha, que estão em Istambul onde Bryan foi realizar um trabalho. Segue-se então um corre-corre frenético pelas ruas da cidade turca com direito a momentos, no mínimo, hilários de tão inverossímeis, como quando a filha de Bryan tenta localizar o cativeiro do pai explodindo granadas a esmo por Istambul.
O filme poderia se chamar Busca Implacável ao Quadrado em vez de Busca Implacável 2: mais inverossímil, mais exagerado e mais supérfluo. Adições que o tornam inferior ao antecessor, que como disse no início deste texto, já não era lá essas coisas.
Amanha se der eu boto mais umas duas ou três criticas. BJuuuu


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