segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O IMPOSSÍVEL

Postado por Alana
O IMPOSSÍVEL 
 
 Longa sobre o tsunami que devastou a Ásia em 2004 peca por sua manipulação sentimental

Divulgação
O Impossível
Temos aqui um filme-catástrofe levado numa toada diferente do que estamos acostumados a ver no cinema americano. E, de fato, o filme não vem do país. É uma produção espanhola, do diretor Juan Antonio Bayona (do bom O Orfanato), que trata do tsunami que devastou a costa asiática em 2004, deixando centenas de milhares de mortos.

A produção é inspirada no drama de uma família espanhola – britânica no longa - que passava férias na Tailândia no momento da tragédia. Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan McGregor) curtem um resort paradisíaco com seus três filhos: Lucas (Tom Holland), Thomas (Samuel Joslin) e Simon (Oaklee Pendergast). Num átimo, estão lutando pela própria vida ao serem arrastados pelas ferozes ondas.

O Impossível é um filme duro, contundente em suas imagens. Bayona não poupa o espectador das feridas (físicas e psicológicas) de seus protagonistas. A diferença em relação aos filmes-catástrofe americanos está no fato de não tratar do drama de vários núcleos de personagens. Concentra-se basicamente na família em questão, resvalando apenas na tragédia de outras vítimas.

O cineasta usa da manipulação narrativa para fisgar o espectador. O Impossível quer fazer você derramar lágrimas e não esconde isso. Bayona gasta até o último cartucho de munição emocional - incluindo a trilha sonora incidental a avisar: é hora de engolir seco e ficar com os olhos marejados. Ewan McGregor e Naomi Watz, dois ótimos atores, ajudam a fazer o sofrimento desse casal transbordar na tela.

É compreensível que o diretor catalão tenha intencionado ver o público sentir de forma pungente a tragédia, mas apelou. Se não bastasse, há uma sequência de encontros e desencontros nos corredores e arredores de um hospital que simplesmente destoa do que foi visto até então. Aqui a manipulação tem o objetivo de sustentar um clima de tensão no quarto final do longa, o que afasta a produção da realidade.

Tecnicamente o filme não faz feio. Fotografia e o trabalho de cor e contraste são excelentes. A câmera é muito bem conduzida, nos colocando dentro dos momentos mais dramáticos como se estivéssemos observando tudo ali ao lado. Bayona, no entanto, se mostrou incapaz de captar a atenção do espectador num esteio contínuo, o que resultaria num arco dramático crescente e eficente. Recorreu a tudo quanto foi tipo de artimanha para fazer funcionar um roteiro que, na verdade, se revela episódico.

O Impossível é uma miscelânea: tem bons momentos carregados de tensão e também outros tantos repletos de futilidades ou, simplesmente, desnecessários. Vale por nos aproximar do lado humano dessa adversidade. Peca por exagerar e, com isso, contraditoriamente, nos afastar da realidade.

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